Essa precisa ser postadada, mesmo que não seja verdadeira – corremos esse risco, mesmo que um amigo de fé a tenha enviado. O importante é refletir sobre a educação, sobre atitudes, sobre o conhecimento disseminado que todos tem acesso, a juventude realizando suas próprias interpretações e como iremos enfrentar isso fora de um contexto fechadinho, limitado pelo conhecimento padronizado. Leiam:
Vestibular da Universidade da Bahia cobrou dos candidatos a interpretação do seguinte trecho de poema de Camões:
‘Amor é fogo que arde
sem se ver,
é ferida que dói e não se sente,
é um contentamento descontente,
dor que desatina sem doer ‘.
Uma vestibulanda de 16 anos deu a sua interpretação :
“Ah, Camões!, se vivesses hoje em dia,
tomavas uns antipiréticos,
uns quantos analgésicos
e Prozac para a depressão.
Compravas um computador,
consultavas a Internet
e descobririas que essas dores que sentias,
esses calores que te abrasavam,
essas mudanças de humor repentinas,
esses desatinos sem nexo,
não eram feridas de amor,
mas somente falta de sexo!”
A Vestibulanda ganhou nota DEZ, pela originalidade, pela estruturação dos versos, das rimas insinuantes e também, foi a primeira vez que, ao longo e mais de 500 anos, alguém desconfiou que o problema de Camões era apenas falta de mulher.
A questão me faz lembrar de Paulo Freire e sua frase, mal interpretada, de que ninguém educa ninguém, mas nos educamos mediatizados pelo mundo, pois é isso que ocorreu com a jovem: aprendeu (não somente na literatura, mas no mundo, na internet, na vida) e reagiu ao texto proposto de acordo com os próprios sentimentos, fazendo sua própria rima para explicar trecho poético de Camões.
Achei sensacionais a resposta e a avaliação, pois a primeira nos obriga a respeitar a juventude quando expressam conhecimento e naturalidade para responder nossas tradicionais e batidas questões do vestibular e a segunda por reconhecer que houve produção de conhecimento por um jovem de 16 anos. Claro, tudo isso se o texto é verdadeiro e a resposta é de alguém tão jovem.